Eu tento esconder e me limitar às sombras da minha personalidade. Mas a luz que, por tempo determinado, existe em meu olhar, descortina todo e qualquer tipo de pensamento "oculto". A vida passou pela minha frente, e mais uma vez, fiquei parado, olhando-a, percebendo-a, deixando-a tomar o rumo certo... Mas acabou. Agora as decisões referentes à minha própria vida, ironicamente, serão tomadas por quem realmente deveria exercer tal fato: eu próprio.
É claro que o ser humano possui, ainda, uma dimensão sentimental. E é claro que esta dimensão, muitas vezes, traz malefícios incalculáveis para o metafórico "coração". Estas duas afirmações fazem parte da realidade daquele que voz fala...
Andei pelas mais frias ruas; pairei sobre minha própria consciência; tentei fugir de meus próprios sentimentos. Tentei me controlar, lendo livros que me levavam para outras dimensões, mas percebi que se tratavam de dimensões de outro ser humano, indubitavelmente fraco e sentimental. Então, parei com as atividades, e retornei ao meu mundinho.
Escolha questionável, pois, tratando-se de sentimentos, é bem melhor viver a vida dos outros que a minha. É bem melhor deixar-me sob o afluxo de sentimentos alheios do que encarar a triste realidade de existir sem correspondência dos próprios sentimentos.
De cabeça erguida vou. Sigo, abrindo novas janelas, deixando que os delírios - citados no texto anterior - superem minhas escolhas. Mas nunca, paradoxalmente, superem minhas razões e paradigmas morais.
É claro que a noite o sol "some", mas, tenho certeza, "o sol vai voltar amanhã", e torço para que este "amanhã" seja breve, e com ele venha novamente dias calmos, de esquecimento total ou parcial do lado sentimental, lado que, certas horas, desejaria não possuir.

